Chief operating officer da poderosa ArvinMeritor - criada em 2000 por meio da fusão das atividades da Arvin Inc. com as da Meritor Automotive Inc. -, Terry O'Rourke visitou o Brasil, e as unidades brasileiras da companhia, na terceira semana de novembro. Recebeu AutoData na terça-feira, 13, e reafirmou algumas tendências:
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as empresas construtoras de veículos deverão reduzir, em pelo menos um terço, o atual número de plataformas, carros e comerciais leves, nos próximos dez
anos;
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compensação: crescerá, substancialmente, o número de versões que utilizará as plataformas remanescentes, algumas desenvolvidas para mercados de menor poder
aquisitivo.
Ele acredita, também, que sobreviverão, ao longo dos anos, de seis a oito montadoras de grande volume de produção. E algumas dedicadas a nichos bastante
especializados.
A ArvinMeritor faturou, no ano fiscal de 2002, encerrado em outubro, US$ 6 bilhões 875 milhões, e obteve lucro líquido de US$ 155 milhões. Para 2003 a perspectiva é obter resultado avaliado em US$ 7,2 bilhões. A companhia investe, anualmente, 2% de seu faturamento global em desenvolvimento tecnológico.
(VAF)
AutoData - Em anos recentes as empresas sistemistas enfrentaram onda de fusões e aquisições. Ultimamente, porém, vive-se processo de digestão, e as companhias concentram-se nos seus core business. Qual será o core business da ArvinMeritor nos próximos dez
ano?
Terry O'Rourke - Vamos nos concentrar naqueles sistemas e componentes considerados críticos, focalizando o nosso conhecimento tecnológico nas áreas de segurança e meio ambiente, por exemplo. Temos três áreas de atuação principais. No segmento de veículos leves e de passageiros, responsável por 60% do nosso faturamento global de US$ 7 bilhões , somos o único fornecedor que detém as duas aplicações de acionamento de vidros e sistema de fechamento e abertura de portas, o que nos habilitaria a fornecer módulos de portas completas. Um outro exemplo, no mesmo segmento, para o qual fabricamos amortecedores e molas, nos coloca em posição vantajosa para fornecermos os upper corners. Esses sistemas são considerados críticos, e requerem conhecimentos de manuseabilidade, conforto, e segurança. No segmento de veículos comerciais somos os produtores mais completos de drivetrain no mundo. No segmento de reposição, em ambas as áreas, existem boas oportunidades de negócios.
AD - Qual deveria ser a participação ideal referente ao mercado de reposição?
TO - No caso da ArvinMeritor esta participação varia de 15% a 20% do total do nosso faturamento, ou seja, o equivalente a US$ 1 bilhão por ano, provenientes de vendas aos segmentos de veículos leves, de passageiros e
comerciais.
AD - Notamos a existência de duas tendências no mercado de reposição atualmente. Alguns sistemistas têm optado por utilizar marcas e sistemas de distribuição próprios, enquanto outros optam pela distribuição de terceiros. Qual é a estratégia da ArvinMeritor neste
caso?
TO - Utilizamos a nossa própria estrutura de distribuição que, aliás, é considerada tão boa que até distribuímos para terceiros nos Estados Unidos, por
exemplo.
AD - Qual é a visão da ArvinMeritor sobre o mercado automotivo
brasileiro?
TO - Estamos otimistas com relação ao longo prazo. O mercado brasileiro conseguiu enfrentar satisfatoriamente os acontecimentos destes últimos dois anos e demonstrou capacidade para resistir aos momentos difíceis que enfrentou , como a crise da Argentina, por exemplo. Acredito que o mercado do Mercosul, que hoje está por volta de 2 milhões de unidades por ano, somando-se os dois principais países da região, Brasil e Argentina, deverá dobrar de volume dentro dos próximos dez
anos.
AD - Estudos recentes indicam que existe grande possibilidade de somente seis ou oito grupos globais montadores de veículos estarem operando em 2012. Esses mesmos estudos também indicam que o número atual de oitocentos sistemistas deverá cair para aproximadamente cem, cada um com faturamento global acima de US$ 30 bilhões por ano. O senhor concorda com esta visão?
TO - Sempre haverá mercado para os fabricantes de veículos de nicho, de mercado específico, como os carros esportivos e de luxo, como Ferrari, por exemplo. Quanto aos veículos produzidos em grande escala acredito que o número possa estar correto. É preciso lembrar que a ArvinMeritor, por exemplo, já se encontra no meio dos quinze maiores sistemistas do mundo, com faturamento de US$ 7 bilhões, e que já fornecemos para os seis ou oito maiores grupos fabricantes globais de veículos, que provavelmente comporão este quadro no futuro. Quanto ao numero exato de sistemistas que existirão no início da próxima década pode ser que realmente sejam reduzidos a estes cem indicados pelo
estudo.
AD - Alguns sistemistas, por conta desta dependência e pressões cada vez maiores advindas de um número cada vez menor de clientes, pensam em, talvez, diversificar suas atuações. Alguns deles, por exemplo, já pensam que seus produtos poderiam ser destinados não somente para aplicações automotivas. Outro exemplo que podemos mencionar é a Cummins, que ampliou seu foco de fornecedor de motores para oferecer também soluções de geração de energia. A ArvinMeritor pretende seguir esta tendência?
TO - Não. Nós nos manteremos fiéis ao mercado automotivo. Entendemos que devemos continuar nos dedicando às aplicações técnicas que melhor conhecemos, que são as automotivas. Historicamente nos desenvolvemos com isto e chegamos até onde estamos hoje. E não pretendemos nos desviar deste nosso foco. Inclusive projetamos para o futuro um crescimento orgânico anual de 10% que atingiremos em
breve.
AD - Com este tipo de postura a ArvinMeritor dependerá exclusivamente do setor automotivo. Como, então, administrar todas as constantes pressões dos clientes e dos fornecedores com relação aos custos, como, por exemplo, no caso atual do aço, tanto aqui como lá fora, e também os investimentos pesados em desenvolvimento de novas tecnologias que serão cada vez mais necessários daqui para a
frente?
TO - Como muito gerenciamento. Temos, por exemplo, dentre outros, um programa de redução de custos conhecido como AMPS que, hoje, já é reconhecido em quase todo o mundo. Este programa é resultado do que havia de melhor quando as duas companhias, Arvin e Meritor, se fundiram. Com relação ao desenvolvimento tecnológico temos, também, processo que se chama technology roadmap, com o qual criamos equipes por unidades de negócios que têm a responsabilidade de analisar onde estamos na indústria, o que os nossos concorrentes estão fazendo e quais as alternativas tecnológicas disponíveis e futuras. Isto nos permite focalizar e maximizar os nossos investimentos em pesquisa e
desenvolvimento.
AD - Neste processo de possível centralização do setor automotivo em torno de somente algumas poucas empresas qual será, na sua opinião, o impacto no número de plataformas de veículos leves e de passageiros no
futuro?
TO - Acredito que o número de plataformas de veículos continuará diminuindo, chegando a atingir talvez índice 33% inferior ao atual. Em contrapartida, contudo, também acredito que o número de derivados destas mesmas plataformas deverá
dobrar.
AD - Com relação ao desenvolvimento de novas tecnologias quanto a ArvinMeritor tem investido todos os
anos?
TO - Atualmente nossa política é de investir cerca de 2% do faturamento global da companhia em desenvolvimento tecnológico. Neste 2002 isto representou cerca de US$ 137,5 milhões. Nesse ponto é importante ressaltar novamente que nosso enfoque é diferenciado, uma vez que potencializamos ao máximo este nosso investimento e trabalhamos exatamente naquilo que trará benefícios concretos para a nossa empresa e para os nossos
clientes.
AD - Mas, especificamente, em que projetos a ArvinMeritor tem
trabalhado?
TO - Aqui no Brasil, por exemplo, onde temos o nosso centro de excelência de rodas de aço, conseguimos reduzir consideravelmente a diferença de peso das nossas rodas de aço com relação às rodas dos concorrentes, de alumínio. Hoje elas já estão presentes em veículos nos Estados Unidos. No segmento de veículos leves também desenvolvemos um teto de material composto que possibilita que sua instalação seja feita por último no veículo. Esta tecnologia já é utilizada pela DaimlerChrysler na Europa, na produção do Smart e fará parte, também do novo Smart quatro portas que será fabricado em breve pela montadora na
Holanda.
AD - Este tipo de montagem do teto é realmente revolucionário.
TO - Realmente é revolucionário, por permitir ao produtor fácil acesso à cabina para a montagem dos bancos e outros componentes. Trata-se de uma revolução no processo de montagem, comparável às vantagens obtidas com a colocação das portas, já montadas, com vidros e levantadores também no fim do processo. Este novo teto, feito de alumínio e resinas plásticas, também dispensa revestimentos internos de
isolamento.
AD - A DaimlerChrysler comunicou recentemente que fabricará um Smart quatro portas aqui no Brasil, em sua planta de Juiz de Fora, em Minas. Será este mesmo Smart que será produzido na Holanda? Se for o mesmo veículo a ArvinMeritor produzirá este mesmo teto também no Brasil?
TO - Sinceramente não sei se é o mesmo veículo, pois ainda não tinha recebido esta informação, de que a empresa produzirá o modelo Smart aqui. A decisão de produzirmos o teto no Brasil dependeria de muitas variáveis, dentre elas o volume. Mas a ArvinMeritor mantém a filosofia de seguir seus clientes onde estiverem. Caso seja de interesse da DaimlerChrysler estarmos presentes com fabricação local então, certamente, levaremos isto em consideração no nosso processo de análise.
AD - As projeções colocadas no Seminário Perspectivas 2003, realizado recentemente por AutoData, indicam que o Brasil poderá alcançar a produção de cerca de 2,7 milhões de unidades até 2005, com mais de 40% deste total dirigido para as exportações, resultado prático de todos os esforços de aproximação que atualmente são desenvolvidos com novos mercados, como México, China e União Européia. O senhor concorda com este raciocínio?
TO - Em teoria isto realmente pode ser possível, mas não é tão fácil. Este volume de exportações pode realmente acontecer, mas a história tem demonstrado que, no longo prazo, o que acaba por tornar viável a produção local é realmente o mercado doméstico.
AD - Ainda neste enfoque de exportações também foi dito, durante o Perspectivas 2003, que o Brasil poderá, num futuro breve, vir a ser o grande parceiro comercial automotivo da China, vez que este país, por motivos ideológicos, tenderia a se aproximar mais do nosso pólo produtivo e não dos existentes na América do Norte ou Europa.
TO - Honestamente não tenho posição firmada a este respeito. Se falamos de seis a oito montadoras no futuro todas elas já estão, hoje, instaladas na China. Sendo assim isto dependeria da estratégia individual de cada uma destas montadoras e, também, da reação das autoridades chinesas. Considero que o Brasil possa realmente vir a ser um bom parceiro no que se refere à complementação da produção local.
AD - Qual o faturamento da ArvinMeritor no Brasil?
TO - Temos dez unidades de negócios no Brasil, e um faturamento por volta de US$ 300 milhões por ano. Estamos muito orgulhosos desse desempenho.
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